Quinta-feira, Novembro 27, 2008

O que é o Natal?

Há uma criança a caminho,a primeira na família em quase duas décadas. Enquanto esse novo ser não irrompe nas nossas vidas (natividade tardia), entretenho-me observando a contagem decrescente até ao dia 25. Pinheiros metálicos iluminados à custa do generoso patrocínio de empresas, montras recheadas de trapos, gadgets e quejandos, promoções e promessas de um Natal mais "económico", "fantástico", "luxuoso", "a prestações", "sem juros". Fala-se de "crise" (palavra puta, anda nas mãos, bocas e bolsos de toda a gente). O seu fantasma paira, pesado e bafiento, como uma doença crónica que atrofia os músculos e entorpece o pensamento. Os que a debatem acaloradamente nas mesas dos cafés, enquanto sorvem a bica, são os mesmos que, nas filas do shopping, mordem os lábios e franzem o sobrolho a cada "bip bip" da registadora. Depois de, atordoados, verificarem o valor total correspondente ao amontoado de Barbies, Playstations, Polly Pockets, telemóveis, DVD e afins, puxarão do cartão de crédito para ser degolado até ao limite pelo leitor electrónico.
Quantos meses demorarei a pagar isto?, Será que era mesmo aquele jogo que os miúdos pediram?, Devia ter sido intransigente com os pedidos. Eles não precisam de tanta coisa!, Tenho vergonha de chegar a casa dos meus sogros e ver que os meus sobrinhos receberam mais presentes que os meus filhos..., Como é que vou pagar a prestação do carro em Janeiro?
Da minha posição favorável e arrogante de jovem adulta, trabalhadora, sem grandes encargos económicos, interrogo-me como é que conseguirão dormir descansados. Como é que conseguem sentar-se à mesa da consoada sem um aperto de culpa na alma. Um vazio.
Após anos de ateísmo rebelde, comecei a fazer as pazes com a minha educação católica e a procurar resquícios dessa aprendizagem para, com esforço, os transformar em algo de válido para a minha vida. Quem foi Cristo? Uma miscelânea de crenças pagãs (ver o documentário "Zeitgeist", muito esclarecedor), um mito, uma efabulação cuidadosamente elaborada pelo mais antigo partido político do mundo, o primeiro comunista, um louco?
Questionar é preciso e saudável, querer encontrar uma resposta única e absoluta é redutor e estúpido. Sei que o seu nascimento é o eixo que rege a nossa existência enquanto civilização. Sei que a essência da sua doutrina é a proposta mais radical de Amor, Compaixão e Paz. Mas não sei se esses princípios serão sequer lembrados momento de desembrulhar os presentes.
Invade-me um sentimento de profunda repulsa perante a ideia de "fazer compras natalícias". Não me sinto capaz e tenho vergonha. Deveria forçar-me a fazê-lo, porque só assim conseguirei demonstrar o meu apreço e amor pelos que me rodeiam. Mas não consigo. Gostava que a minha presença fosse suficiente. Gostava que, se segundas intenções, nos sentássemos à mesa, trocando histórias, comendo, bebendo e rindo. Gostava que isso bastasse.

Quando a nossa menina nascer, sei que a encheremos de presentes. Com gosto e orgulho. Mas também sei que, no próximo Natal, a sua presença bastará para que a noite seja mágica. O primeiro de muitos Natáis.

Quarta-feira, Novembro 05, 2008

Barrack Obama SC Victory Speech Jan 26, 2008 - part 2/2

Arte de Roubar

Quero um Ivo Canelas e um Enrique Arce SÓ PARA MIM!!!

Ninguém

Enfado. aborrecimento. Rotina. Silêncio. Luz.
Ninguém sabe, ninguém diz, ninguém fala. Paredes meias com a verdade, com o 'sim', com o mundo. Perto de alguém sem rosto, sem corpo, que nunca chega. Perto de um destino, próximo inalcançável.
Toco, pontas dos dedos roçam em ti... Que não és.
Estúpidas ilusões de infância, estúpidos contos de fadas, estúpidos romances de cordel, estúpida esperança, estúpido encanto. Estúpida alma, estúpidas fadas, e que estúpida, tão estúpida sou eu. Por crer. Acreditar.